Nem tudo o que parece é

O jornalismo sobre o qual me propus a escrever neste blog recebe a denominação “empresarial” justamente por ter características que o diferenciam do tradicional jornalismo dos veículos de comunicação que nos mantêm informados durante o dia a dia, sejam jornais, revistas, rádio, TV ou portais web. Há diferenças bastante específicas no processo de apuração, no estilo de redação e na forma com a qual o produto final é apresentado, no entanto, o que difere um do outro na esfera global é o objetivo: um está – ou ao menos deveria – a serviço da sociedade, enquanto o outro, da organização.

Cláudio Nogueira define, em seu livro “Dez toques sobre jornalismo”, de 2015, que “O jornalista é o profissional da notícia. Ele investiga e divulga fatos e informações de interesse público, redige e edita reportagens, entrevistas e artigos, adaptando o tamanho, a abordagem, a linguagem dos textos ao veículo e ao público ao qual se destinam”. O autor deixa claro o papel do profissional perante a sociedade, evidenciando o interesse público como base para a atuação do profissional.

Recorro, agora, a autores especializados em pesquisar a comunicação nas empresas. Thereza Cristina Cunha e José Antônio Rosa se preocupam, no livro “Jornal de Empresa: criação, elaboração e administração”, de 1999, em  destacar o poder da comunicação – e, consequentemente, do jornalismo – quando bem direcionada aos colaboradores de qualquer organização. “… a comunicação empresarial deve ser encarada como um instrumento poderoso e sério pelas organizações que pretendem estar plugadas no próximo milênio. O mais importante sobre ela é sua capacidade de conduzir ao aumento de produtividade, à maior participação, solidificando uma parceria real e verdadeira entre empresa-colaborador”.

Este é um desafio vivido diariamente por jornalistas de empresas: usar as técnicas e as teorias do jornalismo a serviço da organização, a favor dos colaboradores e, ainda, sem permitir ao corpo gestor interferências indevidas nos canais de comunicação. Juarês Palma alerta em seu livro “Jornalismo Empresarial”, publicado em 1983: “A direção da empresa sempre se sentirá tentada a usar o veículo que subsidia, para publicação de normas, alertas, disposições, regulamentos, etc. Não será fácil, ao editor, provar que o jornal ou revista não é um diário oficial. Cedendo, e cedendo um pouco além dos limites, a publicação estará fadada ao fracasso”.

A mensagem foi deixada por Palma na década de 80, mas, assim como sua obra, mesmo depois de mais 30 anos, ainda é bastante atual. Os veículos jornalísticos de uma empresa são sim para serem usados a favor da organização, mas respeitando, sempre, os princípios teóricos básicos. Fica o alerta: nem tudo o que parece é.

Gabriel Rocha

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