Use inteligência artificial, mas lembre-se que está escrevendo para pessoas

Inteligência artificial na comunicação corporativaRedes sociais, algoritmos, métricas, SEO, busca orgânica, campanha, marketing digital, hashtag, conversão, blog post, taxa de retenção, listas de e-mail e geração de leads. Se esses termos são pouco familiares para você, saiba que está por fora das estratégias digitais de comunicação, marketing e vendas do momento.

E esses são apenas alguns dos termos que, atualmente, fazem parte do cotidiano de todo profissional de comunicação corporativa. Os seres mais inteligentes do planeta Terra se desdobram, nos dias de hoje, para acompanhar tendências e fluxos conduzidos por máquinas, por uma inteligência artificial. Mas qual a relação disso com a comunicação?

Se voltarmos no tempo e analisarmos a origem da palavra “comunicação”, derivada do Latim communicatio, veremos que sua tradução literal seria algo relacionado a “tornar comum”. Se uma informação é “tornada comum”, logo, ela foi distribuída ou partilhada por um emissor até que chegue aos receptores. E quando avaliado o ambiente virtual, é fácil perceber que todas as diretrizes, os indicadores, os padrões estabelecidos e construídos por meio de algoritmos são gerados a partir de informações que circulam na “nuvem”, ou seja, que são distribuídas por emissores.

A inteligência artificial assimila todas as informações geradas a partir de análises de comportamentos durante a navegação on-line e as utiliza para criar os parâmetros que passarão, naturalmente, a ser seguidos pelos usuários. Aliás, parâmetros esses não tão conhecidos, afinal, mudam a todo momento e exigem atualização constante do tão evoluído homo sapiens.

Inteligência artificial para comunicação corporativa

A comunicação corporativa está sendo cada vez mais pautada por métricas e pensada de acordo com o comportamento do público, tudo para atingir mais pessoas: atrair, reter e converter têm sido o caminho adotado. Mas o conteúdo oferecido deve ser apenas o que atrai, retém e converte? O que fazer com as mensagens importantes que precisam ser disseminadas aos colaboradores de uma organização?

Especialize-se

É cada vez mais difícil ser generalista, o mundo tem exigido especialização, até mesmo para que seja estabelecida autoridade. E inteligência artificial, big data e machine learning ajudam muito nisso, podem ser o pontapé inicial para a elaboração do planejamento estratégico de comunicação interna, por exemplo.

Ter dados, estatísticas e números em mãos é fundamental para compreender cenários, mensurar resultados e planejar a comunicação, no entanto, o que vai mesmo determinar o sucesso das ações é o conteúdo. A qualidade não pode ser deixada de lado, a apresentação do conteúdo e as mensagens que serão transmitidas precisam ser pensadas com criatividade e, principalmente, seguindo a estratégia da empresa.

Humanize-se

Já deu para perceber que as pessoas gostam de falar com máquinas – me refiro à maioria, claro, sempre há exceções. E é fácil confirmar: assistentes virtuais estão em alta, iniciativas digitais crescem a cada dia e chatbots já possuem até mesmo comportamentos próprios. O que muito produtor de conteúdo esquece é que a sociedade quer, mais do que nunca, “gente como a gente”.

Sim, conversar com máquinas já é algo natural, mas é preciso que haja personalidade, aproximação, um robô que compreenda o usuário sem passar a sensação de ser uma máquina corporativa de atendimento. Já existem, no mercado, influenciadores digitais virtuais, tudo bem. Mas o que será, então, que está por vir? Humanize ao máximo suas ferramentas, pessoas são insubstituíveis.

A busca pelo propósito

É possível conversar com máquinas, se relacionar com assistentes virtuais e lidar com outras façanhas do mundo digital, no entanto, é fundamental que haja propósito. Uma comunicação efetiva é aquela que agrega valor, seja simplesmente informando, solucionando problemas, atendendo a necessidades, tratando as “dores” de cada receptor etc. Encontrar o propósito é se preocupar menos com “o que” e “como” e refletir mais sobre o “por quê” e o “para quê” da comunicação. Com o propósito da marca claramente definido, o jornalista de empresa consegue reunir a famosa tríade “pessoas + processos + ferramentas” por meio de conteúdo e construir uma cultura baseada, justamente, no propósito.

Naturalidade

Inteligência artificialOs robôs são desenvolvidos por pessoas para que, posteriormente, interprete comportamentos de pessoas e se relacione com pessoas. Mas qual a diferença entre eles e as pessoas, afinal? A espontaneidade e a naturalidade com que agimos talvez sejam dois importantes fatores humanizadores, que nos diferenciam das máquinas.

Repetir informações, replicar mensagens, copiar e colar textos, agir com base em código binário são especialidades dos robôs, mas e quando algo os surpreende? Não há no mundo máquina capaz de se comunicar de forma espontânea como as pessoas. É a capacidade de resolver problemas e encontrar soluções criativas, independentemente de configurações, parâmetros ou diretrizes, que nos torna tão especiais. Disso não podemos nos esquecer.

Mídia ou rede? Qualidade ou quantidade?

Entre outros pontos abordados no texto, ouvi há alguns dias, em um evento promovido pela Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), um comentário que me chamou atenção. Carlos Teixeira, fundador do portal Radar do Futuro, pontuou com precisas palavras: “Não entender, desde o início, a internet como mídia, mas como rede de canais, fez com que os padrões e parâmetros fossem ditados por profissionais de tecnologia da informação e de design“.

Se fosse interpretada como mídia desde o início, seria exigido mais criatividade e qualidade dos produtores de conteúdo? Ou ainda assim seríamos tão dependentes de regras e indicadores? Viveríamos experiências diferentes nos dias de hoje? Para chegarmos a uma conclusão – se é que é possível -, precisamos nos comunicar.

Gabriel Rocha

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