As empresas têm muito a aprender com as redações

Grandes empresas costumam ser exemplo de produtividade e eficiência, afinal, são movidas por profissionais altamente capacitados para o trabalho, em sua maioria. Mas nunca é tarde para aprender e a cultura das redações tem muito a ensinar, isso é fato. Listei, neste texto, alguns exemplos de comportamento e processos que, na minha opinião, podem fazer a diferença na rotina das organizações, deixando o dia a dia mais dinâmico e menos atrelado a burocracias.

Para começo de conversa, nas redações também há deadline a ser cumprido, portanto, não há espaço para desculpas como “o trabalho nas empresas é mais intenso” ou “o nível de exigência é muito maior nas empresas”. As equipes estão cada vez mais enxutas, com menos jornalistas para executar cada vez mais tarefas. E o dinamismo do jornalismo não permite mimmi, afinal, é preciso rapidez para cobrir todos os factuais e planejamento e organização para dar conta das pautas mais frias. Uma pergunta básica: os jornalistas dão conta de coberturas ao vivo, o que pode ser ainda mais instantâneo?

Nas redações, as funções são bastante definidas e isso ajuda a estruturar melhor os processos, sem falar no ganho de eficiência, afinal, os profissionais podem aprimorar técnicas dia após dia e se tornar ainda mais experientes. Há o pauteiro, o produtor, o editor, o cinegrafista, o fotojornalista, o repórter etc. E um detalhe: o repórter, por exemplo, cobre, normalmente, uma determinada editoria específica, por conta do conhecimento necessário; o editor também é, geralmente, atrelado a uma editoria – e edita apenas conteúdo, pois há outro profissional responsável pela edição de imagem. Segregar responsabilidades e definir escopos específicos trazem ganhos significativos de produtividade.

Outra contribuição importante que as redações podem dar é com relação a uso de equipamentos e recursos, afinal, do que mais o jornalista precisa  quando tem em mãos um bloquinho e uma caneta? Deixadas de lado as brincadeiras, é fácil perceber a evolução dos equipamentos e, com isso, a redução da quantidade necessária de recursos para se produzir uma notícia. Muitos repórteres da atualidade posicionam o tripé com uma câmera acoplada a ele e transmitem a própria entrada ao vivo nos telejornais, um computador de mesa resume bem a ilha de edição dos tempos de hoje. Não vale a pena refletir?

Por fim, o próprio ambiente e o clima um pouco mais informal são propícios a uma maior liberdade com relação a hierarquia, desde que respeitadas as responsabilidades de cada um. Os profissionais permanecem mais tempo produzindo do que preenchendo planilhas, construindo cronogramas, solicitando aprovações e fazendo reuniões. A própria dinâmica de produção jornalística é uma das responsáveis por parte da formação desse cenário, mas um esforço de reflexão pode ser interessante para qualquer empresa.

Se interessou pelo tema? Pensa ser possível otimizar as burocracias do dia a dia? Procure um jornalista para bater um papo e conhecer mais a fundo a realidade das redações. Mas seja rápido, em breve ele terá um deadline a cumprir.

Gabriel Rocha

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